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Erro da justiça

Após quase cinco anos preso, "Maníaco da moto" é considerado inocente

Reviravolta ocorreu com auxílio de advogados do Innocence Project, que apontaram evidências de que Antônio Cláudio, atualmente com 35 anos, havia sido confundido com o verdadeiro criminoso

30/07/2019 15h20
Por: Redação Ceará em Destaque
Fonte: Diário do Nordeste
Antônio Cláudio Barbosa teve o direito a liberdade nesta terça-feira (30)
Antônio Cláudio Barbosa teve o direito a liberdade nesta terça-feira (30)

Após mais de 4 anos preso, o borracheiro Antônio Cláudio Barbosa, confundido com o homem conhecido como "maníaco da moto", pode ser solto nesta terça-feira (30) a qualquer momento. O alvará de soltura em favor de Barbosa foi expedido pela desembargadora Marlúcia de Araújo Bezerra. O homem estava preso desde agosto de 2014, quando foi condenado por estuprar oito mulheres em Fortaleza. Após novo julgamento ocorrido nesta segunda-feira (29), o borracheiro foi inocentado.

A reviravolta ocorreu com auxílio de advogados do Innocence Project, que apontaram evidências de que Antônio Cláudio, atualmente com 35 anos, havia sido confundido com o verdadeiro criminoso. Antônio Cláudio era dono de uma borracharia no Bairro Mondubim e não tinha passagens pela polícia. Ele estava detido no Centro de Execução Penal e Integração Social Vasco Damasceno Weyne (Cepis), conhecido como CPPL V, em Itaitinga, Região Metropolitana de Fortaleza.

Entre as evidências apontadas pela defesa no novo julgamento, os advogados alegam que o autor do crime tem cerca de 1,80 metro, com base em vídeos do homem cometendo os atos. A altura de Antônio Cláudio é 1,59 metro.

Vítimas retiraram denúncia

Um dos argumentos do pedido feito pela Defensoria Pública e pelo Innocence Project, obtido pelo Sistema Verdes Mares, é que sete das oito mulheres que haviam formalizado denúncia desistiram de acusar Antônio Cláudio. No único caso levado adiante, a vítima tinha apenas 11 anos na época. Ela teria sido a primeira pessoa a reconhecer o dono de borracharia como criminoso.

A advogada Flávia Rahal disse também que "a única coisa que sustentou a condenação foi o reconhecimento feito pela vítima" – não houve exame de DNA, por exemplo. O reconhecimento foi feito por um criança de 11 anos, vítimas de estupro. Conforme Rahal, a criança se equivocou ao se convencer de que o borracheiro foi o autor do crime.

"Não estamos falando de um reconhecimento feito por má fé. Ela foi vítima de abuso, deve ser uma coisa que deixa marcas muito doloridas. E quando ela viu a foto dele [Antônio], se convenceu que ele era a pessoa que a atacou. No momento em que ela se convence – tem uma tese de direito com psicologia que fala da falta de memória – ela interioriza que foi ele", ponderou.

Além disso, a defesa afirmou que tem provas documentais que de que Antônio Cláudio não possuía uma motocicleta de cor vermelha no período em que os crimes foram cometidos.

"Maníaco da moto"

O caso ficou conhecido como "maníaco da moto" porque o criminoso utilizava uma motocicleta de cor vermelha para abordar as vítimas na rua, além de uma faca para ameaçá-las. O verdadeiro criminoso nunca foi identificado.

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