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Porque, mesmo após o fim do inverno, tem chovido tanto no Ceará?

Ceará em Destaque ouviu meteorologista da Funceme que explica porque as chuvas estão mais frequentes nesta última semana, mesmo após o fim do período chuvoso

25/07/2019 14h26Atualizado há 2 meses
Por: Redação Ceará em Destaque

Não houve quem não se surpreendesse com as chuvas que voltaram a cair na penúltima semana deste mês de julho. A estranheza não é para menos: as chuvas banharam principalmente a região do Sertão Central, uma das que mais sofre com a ausência de chuvas, mesmo quando estamos no período de inverno. O resultado delas foi o aumento em mais de 100% da média pluviométrica histórica para essa região. O que muitos buscam saber é exatamente como e por que, justamente na região onde tradicionalmente não chove, a água resolveu aparecer coincidentemente depois do fim inverno.

O Ceará em Destaque ouviu o meteorologista da Fundação Cearense de Meteorologia (Funceme) David Ferran, que explicou a causa. As chuvas na região Central, segundo ele, são causadas por um sistema chamado ondas de leste. "É um sistema que provoca poucas chuvas nessa época. Ele não é tão comum por aqui, mas eventualmente ele atinge o Ceará, como aconteceu este ano", explica o meteorologista.

David Ferran detalhou que as Ondas de Leste não pode ser entendida como um fenômeno raro. "Ele é comum em outras regiões, mas a surpresa está no fato de ter se estendido e chegado até algumas regiões do Ceará, como ocorreu na última semana".

A própria Funceme confirmou a anormalidade nas chuvas desde o início da semana. Somente da última terça (23) para quarta-feira (24), o órgão registrou chuvas em mais de 100 municípios. "No Sertão Central e Inhamuns a média histórica da região é de 13 mm neste mês de julho, sendo que essas chuvas das últimas semanas deu um total de 30 mm", disse o especialista.

Esse acúmulo foi responsável por elevar a média histórica da região para este mês em 130%, mas David Ferran pondera: "Embora seja um percentual grandioso, como é uma média muito baixa de apenas 13 mm, a significância do que ultrapassar isso, não é muito grande. Por exemplo: se chover 200% acima da média de julho, não vai encher açude. Mas se em março chover 200% acima da média, enchem muitos açudes porque em março chove bastante historicamente".

Ferran também confirmou ao Ceará em Destaque que o fenômeno é o mesmo que tem causado as fortes chuvas na região do Recife. Até esta quinta-feira (25) a Defesa Civil do Estado já havia confirmado a morte de 12 pessoas em virtude de acidentes provocado pelas enchentes e alagamentos. "Normalmente esse sistema é o principal responsável pelas chuvas no Recife e Paraiba".

A duração do fenômeno se esgotou na última quarta-feira (24), quando choveu em 19 municípios. A tendência é que a ausência de chuvas se confirme até o fim de semana. A previsão do tempo da Funceme até sábado (27) é de nebulosidade variável, mas sem chuvas.

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